segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Saiu no Jornal O Globo

O Globo - RJ
27/08/2009 - 06:45
Tulio Brandão

Aterro sanitário em área de aquífero da Baixada está sendo licenciado

Tem muita água no caminho do projeto do novo aterro sanitário de Seropédica, na Baixada Fluminense. O empreendimento, que está em fase de licenciamento e foi discutido ontem em audiência pública, seria instalado numa área sobre o Aquífero Piranema, o terceiro maior do Estado do Rio.
A Nova Gerar, empresa responsável pelo aterro, garante dispor de tecnologia para evitar vazamentos. Mas entidades de Seropédica e a Embrapa Agrobiologia já se declararam contra o empreendimento.
A pesquisadora da Embrapa Agrobiologia Rosângela Straliotto, que preside o Conselho da cidade de Seropédica, diz que o projeto não deveria sequer estar sendo licenciado:
A área é inadequada por princípio. Em caso de acidente, não há como descontaminar o aquífero. É absurdo arriscar provocar danos num reservatório tão importante, que pode garantir o abastecimento da Região Metropolitana em caso de colapso do Sistema Guandu e certamente será importante no futuro.
Para ela, o problema é o fato de o aquífero estar sob uma rocha sedimentar, com maior grau de permeabilidade.
Não é, por exemplo, como o Aquífero Guarani, onde a rocha é impermeável.
Além disso, o aterro não respeita resoluções que determinam distância mínima para rios e zonas urbanas. Não entendo como o órgão ambiental (Instituto Estadual do Ambiente) está licenciando o empreendimento.
Empresa: aquífero não é vulnerável na área do aterro A Nova Gerar também é responsável pelo aterro sanitário de Adrianópolis — considerado referência em gestão ambiental.
A superintendente de operações da empresa, Adriana Felipetto, afirma que o empreendimento será instalado numa área de Seropédica onde o aquífero não é vulnerável.
Estudamos aproximadamente um ano a questão hidrogeológica da área e identificamos os contornos do aquífero.
Na nossa área, ele é pouco representativo, de menor vulnerabilidade — diz ela.
Ela diz que, mesmo assim, o aterro terá tecnologia de ponta de impermeabilização do solo, com argila, duas camadas de polietileno de alta densidade, areia, betonita e até sensores que detectam vazamento.
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O projeto é inovador no sentido da segurança. Não há qualquer restrição legal.
Caso seja licenciado, o aterro — chamado de Centro de Tratamento de Resíduos de Santa Rosa — terá capacidade total de 43 milhões de toneladas, o que permite a operação de 8 mil toneladas por dia durante 18 anos. O empreendimento será instalado numa área de 2,2 milhões de metros quadrados em Seropédica.
O Instituto Estadual do Ambiente informou que vai se pronunciar hoje sobre o licenciamento, após a realização da audiência pública.
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